Quando se vai a um evento como o VTEX Day, a expectativa é previsível: cases de digital commerce, plataformas, automação, inteligência artificial, conversão. O vocabulário do digital.
Mas o que mais me chamou atenção nesta edição foram 2 talks que não tinham nada a ver com isso. Um sobre economia e mercado e outro sobre branding.
Isso diz algo sobre o momento. Quando um evento de tecnologia precisa falar de fundamentos, é porque o mercado está pedindo ancoragem.
1. Economia e mercado: o que esperar do Brasil em 2026
O Sócio e Estrategista-Chefe do BTG Pactual João Scandiuzzi e o economista-chefe do Bradesco Fernando Honorato, dividiram o palco numa das palestras que mais me surpreendeu. O que eu tenho escutado sobre 2026 beirava terror: eleições, Copa do Mundo, instabilidade no macro.
O que ouvi deles foi diferente. Os dois trouxeram um argumento estrutural: o Brasil tem três dos quatro fatores que definem o poder de longo prazo de uma nação.
Segurança alimentar, com uma das maiores potências agrícolas do mundo e reservas de água doce que poucos países têm. Segurança energética, com uma das matrizes mais limpas do planeta e crescimento acelerado em renováveis. E um mercado consumidor de mais de 200 milhões de habitantes, diversificado e em digitalização. O único fator em que o Brasil não se destaca é defesa militar. Para uma empresa tomando decisões de crescimento, isso raramente entra na equação.
Do Bradesco veio o alerta mais direto: "Alavancagem excessiva pode destruir uma empresa em 2027. Cuidado com isso." Não é pessimismo. É sobriedade. O cenário tem fundamentos sólidos, mas o ambiente ainda desafia: juros altos, pressão fiscal, um governo que precisa fazer a sua parte. Ambos elogiaram políticas como o teto de gastos como referência do que funciona quando há disciplina.
Do BTG, a orientação foi sobre postura: tecnologia e IA como prioridade, buscar a disrupção antes de ser disruptado, ficar de olho na China, que está ganhando market share com qualidade, e ter agilidade para se adaptar como vantagem operacional real.
Saí dessa palestra menos ansioso com 2026 e mais atento a 2027.
2. Branding que se mede: quando a construção de marca se prova em dados
A segunda conversa que me marcou teve a participação da Guta da Purple Métrics, que trouxe a sua tese de que branding pode e deve ser medido.
Parece óbvio, mas quem trabalha com marca sabe que esse argumento ainda enfrenta resistência. Orçamentos são cortados primeiro com branding porque ele "não gera resultado direto". A régua é a de performance, o ROI imediato, a última interação antes da compra.
O que a Guta apresentou é uma desconstrução desse raciocínio com dados. Branding tem efeito em vendas. Isso não é opinião, é mensurável. Os primeiros sinais aparecem na redução do CAC, no aumento da taxa de conversão e na melhoria de performance de mídia. O investimento em marca começa a mover métricas que o time de performance reconhece antes mesmo de qualquer efeito de awareness consolidado.
Aí ela soltou um dado que me impressionou: 6 semanas já é tempo suficiente para começar a ver esse movimento. Branding não é um ativo que demora anos para se pagar. A maior barreira é técnica: empresas não sabem quanto investiram, em quais canais, com quais criativos. Sem esse dado de entrada, qualquer análise de retorno é prejudicada. O problema não é que branding não funciona. É que ele não é rastreado.
Mídia, marketing e mensuração integrados não é uma ideia nova. Mas, continuar ignorando branding como componente mensurável dessa equação é um erro cada vez mais caro.
Como humanos, queremos escolher as marcas que consumimos. A decisão de compra raramente começa no clique. Começa na percepção construída ao longo do tempo. Isso é influência de marca. Ela tem preço, tem retorno, tem métrica.
Tecnologia continua sendo o tema central do VTEX Day, mas o que me ficou desta edição é que as conversas mais estratégicas estavam nos bastidores desse tema: no cenário que molda o ambiente de negócios e na disciplina que constrói o ativo mais duradouro de uma empresa.
Fica o registro, e a pergunta: sua empresa está medindo o que constrói?
Nem sempre o problema está no canal, na mídia ou na tecnologia.
Às vezes, está no que não está sendo olhado com profundidade.
Na Valkiria, a gente ajuda empresas a organizar esse pensamento e transformar marca em algo que realmente sustenta crescimento.
Se isso faz sentido por aí, nos conte sobre o seu desafio.


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