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Afinal, o que é design?

O que é design? Muito antes de fazer a minha escolha profissional, já ouvia falar de design. Ainda sem ter uma definição clara a seu respeito, conheci pessoas no início da minha trajetória que o praticavam e, vendo o que elas faziam nestes contextos, me identifiquei. Quero fazer isso – pensei.

 

Decidi cursar design, optando pela habilitação de produto.

O que fazia (e faz) um designer sempre me pareceu mais fácil de responder do que definir o que é design.

 

Em meados de 2005, para mim um designer desenhava, projetava, máquinas, bens de consumo, embalagens, marcas. Simples assim.

 

Contudo, no decorrer da minha graduação e com as experiências de trabalho que tive, percebi que o seu escopo de atuação se ampliava. Serviços, sistemas, interfaces, experiências e negócios são alguns exemplos do que vi sendo desenhado a partir dessa abordagem neste breve período até aqui.

 

Mas, afinal, o que é design?

 

Acredito que saí da faculdade sem essa resposta e a dificuldade em defini-lo se dá, justamente, pelas inúmeras possibilidades de aplicação que ele tem atualmente.

 

Tudo é possível de ser imaginado, desenhado e criado de uma forma melhor pelo design.

 

Com sua abordagem centrada no ser humano [em outras palavras, colocando as pessoas em primeiro lugar], ele possibilita a descoberta e o entendimento de necessidades não atendidas que poderão ser convertidas em demandas, sem deixar de visualizar, analisar e conectar a interdependência de fatores importantes como economia, tecnologia, antropologia, psicologia, sociologia, geometria, entre outros, ao mesmo tempo.

 

Recentemente, a paternidade se apresentou para mim e com ela senti a necessidade de ter uma definição clara em relação a minha escolha profissional.

 

Queria poder explicar ao meu filho, talvez em poucas palavras, o que o pai dele faz de uma forma simples, além de compartilhar com estudantes, amigos, familiares, entusiastas e clientes uma definição do que é design.

 

Para tanto, fiz um resgate profundo, examinando a minha bagagem pessoal e revisitando algumas compreensões interessantes.

 

Mike Davidson, diretor de design do Twitter, fala muito a respeito do impacto do design. “É preciso um progresso enorme para nós mudarmos o modo como vivemos nossas vidas. Design é a forma como acessamos esse progresso”. 

 

Já a UX design lead do Google, Janne Arden, vê o design como uma conexão. “O design é humano. Não é sobre “está bonito”, mas sobre a conexão criada entre um produto e as nossas vidas”. Ambos entendimentos, e muitos outros, contribuíram para construir a minha própria definição.

 

Contudo, o grande insight para essa construção veio quando examinei outras áreas do conhecimento e me deparei com a palavra ciência.

 

Sabemos que existem algumas ciências. As humanas. As exatas. As da saúde, as contábeis e até mesmo as herméticas. E dentro delas, podemos encontrar diversas disciplinas. O design reune muitas dessas áreas, principalmente, das humanas e das exatas. Nele é possível de encontrar a matemática, a física e a química, ao mesmo tempo que encontramos a antropologia, a psicologia e a sociologia.

 

Complexo? Vamos a um caso prático.

 

Quando analiso um projeto aparentemente simples [a olhos leigos] desenvolvido aqui na Valkiria como o de uma caixa térmica para o mercado brasileiro, vejo muitas dessas disciplinas inter-relacionadas influenciando no resultado do design.

 

Por exemplo, para entender as necessidades de cada indivíduo que utiliza esse produto, inevitavelmente, precisamos da psicologia, assim como da sociologia para estudar o comportamento de um grupo.

 

Por meio da observação, de entrevistas e da experimentação analisamos o comportamento e mapeamos as necessidades dos usuários que, em se tratando de um Brasil tão plural e multicultural, são muito distintas e peculiares.

 

Existem aqueles que utilizam a caixa térmica unicamente para o lazer, outros para fazer compras, outros para trabalhar, entre outras utilidades.

 

Entender isso foi crucial para determinarmos fatores chave do projeto como a capacidade em litros do produto, os aspectos estéticos e, principalmente, os seus requisitos funcionais.

 

Ao mesmo tempo, precisamos da química para compreender o comportamento do polímero que foi utilizado como matéria-prima na fabricação do produto, da matemática para determinar as suas dimensões em função do volume em litros e da física para avaliar a resistência dos seus componentes, como a alça de transporte, alvo de inúmeras reclamações dos consumidores de produtos concorrentes em razão de sua fragilidade.

 

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Ao observar o comportamento dos usuários que utilizam a caixa térmica para o lazer, percebemos a necessidade de transportar, sozinhos, um produto pesado com bebidas, comidas e muito gelo.

 

Por isso, criamos uma alça com desenho ergonômico para o transporte da caixa em dupla, a partir de uma geometria que fornece, ao mesmo tempo, resistência ao componente e conforto para quem a carrega.

 

E é por tudo isso [e muito mais], para mim, o design é compreendido como uma ciência, a ciência da inovação, que se vale de diversas áreas do conhecimento para construir a sua abordagem, que é capaz de promover grandes transformações nas mais variadas escalas.

 

Por meio dessa ciência, acredito ser possível potencializar o processo de inovação das empresas para construir melhores estratégias, marcas, produtos, embalagens, experiências e, como consequência, trazer resultados significativos para todos e para a sociedade.

 

É isso que acredito e praticamos na Valkiria Inteligência Criativa.

 

 

 

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